Outro aspecto apontado pelos participantes é a mudança no atendimento nos hospitais

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Com a implementação da classificação de risco, os casos que não são urgentes/emergentes são encaminhados para as UBS. Esse movimento vem acontecendo como uma forma de organização da rede de atenção à saúde (RAS), conforme preconizado pelo Ministério da Saúde, na qual a AB ocupa posição de destaque como coordenadora e coordenadora do cuidado, portanto, o acompanhamento inicial deve ser na AB e ser encaminhado para outro ponto na RAS, caso haja necessidade de atendimento especializado e/ou hospitalar. O aspecto positivo também reflete essa organização, visto que na UBS busca-se privilegiar a proximidade com o usuário da região conveniada ao serviço de cuidados com a saúde.

Assim, o acesso geográfico foi um facilitador para a ida ao serviço de cuidados com a saúde. Segundo a maioria dos entrevistados, essa questão geográfica não dificultava o atendimento à saúde, pois a UBS fica próxima ou a uma distância razoável de suas residências e, por serem idosos, não se importavam em utilizar o transporte público, pois não precisavam desembolsar valores com pagamento de mensalidades. A maioria relatou que ia ao serviço principalmente para obter medicamentos fornecidos mensalmente, mas frequentemente se deparava com a falta deles e descreveu o sentimento de frustração como um fator dificultador para a continuidade do cuidado em saúde.

Assim, o acesso organizacional, relatado tanto no atendimento profissional quanto na oferta de serviços, também foi destacado como um aspecto que atenua o cuidado com a própria saúde, sendo desestimulado, principalmente por descreverem a dificuldade financeira para obter tais insumos por meios próprios. Em relação aos profissionais, os participantes apontaram preditores de um atendimento satisfatório dos profissionais da UBS, ou seja, a explicitação de como suas necessidades serão atendidas. Dessa forma, relataram compromissos com os retornos para a realização de exames, consultas, aquisição de medicamentos e acesso imediato aos agravos agudos.

Contudo, sentiram-se prejudicados quando se deparam com a falta de medicamentos e quando não são bem atendidos, afetando a adesão ao tratamento e a continuidade do cuidado. Além disso, esses obstáculos geraram a busca pelo atendimento dessas necessidades em outras UBS. Diante dessa realidade, os idosos precisam superar suas limitações físicas (apesar de realizarem atividades básicas do dia a dia) e socioeconômicas, para adquirir medicamentos e dar continuidade ao tratamento. Contudo, restringiram o cuidado a essas ações, omitindo outras ações de autocuidado.
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Dr Stéfano Fiúza – Cirurgião de Cabeça e Pescoço
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